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Resenha: Príncipe Drácula - Kerri Maniscalco

  • 18 de abr. de 2020
  • 4 min de leitura

Depois de ter lido o primeiro livro da Kerri, "Jack, o Estripador" (que foi uma obra prima de suspense e investigação criminal), carreguei uma expectativa tremenda para a continuação; afinal, um crime que remete ao conto vampiresco "Drácula" tem tudo para ser bom, não é? Mas, é como dizem, não espere muito de algo para não se decepcionar, e infelizmente, foi o que aconteceu dessa vez. A escrita fenomenal de Maniscalco não foi suficiente para superar alguns furos na trama, o suspense confuso e estagnado e uma conclusão surpreendentemente sem sentido.


"Príncipe Drácula" é o segundo livro da série Rastro de Sangue, que acompanha Audrey Rose Wadsworth em seu caminho para se tornar uma cientista forense no século 19, indo estudar na mais renomada academia de Ciências Forenses da Europa, situada no Castelo de Bran, na Romênia, famoso por causa do sanguinário governante Vlad III, ou Vlad, o Empalador, inspiração para a lenda de Drácula. Wadsworth está animada por seu pai ter dado a ela permissão para seguir seu sonho, mas o trauma pelo qual passou durante o caso do estripador de Londres faz com que tenha crises e vislumbres de corpos voltando à vida toda vez que segura um escalpelo para realizar qualquer autópsia. Mas isso não a impede de querer provar seu valor assim que chega na academia e se encontra em um ambiente hostil, onde todas as probabilidades estão contra ela por ser uma mulher, enfrentando seus pesadelos com o apoio de Thomas Cresswell, o aprendiz de seu tio e colega que também foi estudar na academia.


Ao mesmo tempo que luta pra conquistar um lugar de respeito em sua classe cheia de homens que a todo tempo desdenham de sua capacidade por causa de seu gênero, Audrey Rose passa suas noites se esgueirando pelos corredores do castelo assombrado pela memória dos crimes de Vlad Drácula, para encontrar o assassino que está matando pessoas ligadas à escola, utilizando-se de um método que faz com que até mesmo os cientistas estudando ali duvidem de sua preciosa ciência: os corpos eram encontrados drenados de sangue e com um forte cheiro de alho.


Como essa obra não é uma fantasia e por isso o leitor já fica ligado que definitivamente não é um vampiro andando pelo escola com sede de sangue, a primeira metade do livro passa voando, alternando cenas das aulas de autópsia e das investigações da Srta. Wadworth pelos necrotérios e câmaras subterrâneas, descobrindo pequenas pistas aqui e ali enquanto o número de vítimas aumenta, mas sem nem chegar perto de descobrir nenhum suspeito. NENHUM SUSPEITO, NESSA ALTURA DO CAMPEONATO?

A partir daí foi que a história começou a se perder para mim, porque os capítulos foram passando e quando percebi, tinha lido 2/3 da obra e Audrey Rose, que no livro passado mostrou habilidades de dedução mais surpreendentes que as de Sherlock Holmes, não tinha sequer uma pista nova sobre quem estava por trás dos assassinatos e de como matava as vítimas. Adicione a essa trama uma antiga sociedade secreta de vigilantes contra a corrupção na realeza e uma conclusão absurda para os assassinatos (pra mim foi a pior motivação para os crimes de um vilão que já li), e pode-se imaginar a decepção que foi a conclusão desse caso. Mas nem tudo está perdido, já que outros aspectos do livro foram mais interessantes de acompanhar do que os homicídios quase vampirescos.


A autora deu continuidade à insinuação de romance entre Wadsworth e o aprendiz de seu tio, Thomas, que começou no primeiro livro, enquanto os dois andavam sozinhos pelas ruas de Londres caçando Jack, o Estripador. Audrey Rose tem o costume teimoso de negar as investidas do rapaz, já que tem medo de perder sua liberdade de trabalhar com o que sonha para ter que exercer a função de esposa e dona do lar que se espera de uma mulher após o casamento, apesar de o Sr. Cresswell sempre ter demonstrado, desde que se conheceram, que ele a vê como uma igual no ramo que perseguem.


Acho que terminei o livro mais querendo saber o que o enredo traria para esses dois do que para descobrir sobre o crime em si (o que torna a obra problemática já que a proposta é que seja uma leitura de suspense e crime, e não um romance apenas). De qualquer forma, foi muito interessante descobrir sobre as conexões que a família de Thomas tem com a linhagem de Vlad Drácula, ainda mais porque no livro anterior não pudemos descobrir muito sobre sua personalidade, apenas que todas as suas ações são guiadas pela lógica e que qualquer coisa menos objetiva que isso o deixa confuso e desfaz seu semblante sempre frio e distante. Ah, e os flertes contínuos, característica inabalável do Sr. Cresswell. Muitos dos diálogos eram hilários por causa de suas tiradas mordazes e comentários acerca da sagacidade ou beleza de Audrey Rose, inapropriados e fora de hora, ainda mais se formos levar em conta todas as regras de decoro que tinha que existir numa amizade entre homem e mulher da época e que Thomas simplesmente ignorava.

A autora traz um retrato muito preciso da sociedade da época, resultado de muita pesquisa para tornar os cenários e diálogos bastante condizentes com o período da narrativa. Tirando as liberdades artísticas tomadas para descrever o Castelo de Bran e o vilarejo de Brasov, Maniscalco insere o leitor com sucesso no meio da Romênia do século 19, utilizando-se de lugares reais e entidades históricas que realmente existiram para incrementar a trama, como a sociedade secreta Ordem do Dragão e as menções à serial killer Elizabeth Báthory, conhecida como condessa Drácula ou condessa sangrenta devido aos rumores de se banhar no sangue das centenas de criadas que matava de formas cruéis em seu castelo.


Assim, apesar do desencanto com esse livro, ainda tenho planos para ler o terceiro volume da série assim que a Editora Darkside publicar ele no Brasil, tanto para completar minha coleção quanto para dar mais uma chance à autora, que tem um enorme talento como escritora, principalmente para construir mistério e suspense em suas obras.

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